Sunday, July 11, 2010
Tuesday, July 6, 2010
Tuesday, June 15, 2010
Monday, June 14, 2010
Monday, April 19, 2010
Ai, flores, ai, flores do verde pino
Ai, flores, ai, flores do verde pino
--- Ai, flores, ai, flores do verde pino,
se sabedes novas do meu amigo?
Ai, Deus, e u é?
Ai, flores, ai, flores do verde ramo,
se sabedes novas do meu amado?
Ai, Deus, e u é?
Se sabedes novas do meu amigo,
aquel que mentiu do que pôs comigo?
Ai, Deus, e u é?
Se sabedes novas do meu amado,
aquel que mentiu do que mi à jurado?
Ai, Deus, e u é?
--- Vós me preguntades polo vosso amigo?
E eu ben vos digo que é sano e vivo.
Ai, Deus, e u é?
Vós me preguntades polo vosso amado?
E eu ben vos digo que é vivo e sano.
Ai, Deus, e u é?
E eu ben vos digo que é sano e vivo
e seerá vosco ante o prazo saido.
Ai, Deus, e u é?
E eu ben vos digo que é vivo e sano
e seerá vosco ante o prazo passado.
Ai, Deus, e u é?
El-Rei D. Dinis
--- Ai, flores, ai, flores do verde pino,
se sabedes novas do meu amigo?
Ai, Deus, e u é?
Ai, flores, ai, flores do verde ramo,
se sabedes novas do meu amado?
Ai, Deus, e u é?
Se sabedes novas do meu amigo,
aquel que mentiu do que pôs comigo?
Ai, Deus, e u é?
Se sabedes novas do meu amado,
aquel que mentiu do que mi à jurado?
Ai, Deus, e u é?
--- Vós me preguntades polo vosso amigo?
E eu ben vos digo que é sano e vivo.
Ai, Deus, e u é?
Vós me preguntades polo vosso amado?
E eu ben vos digo que é vivo e sano.
Ai, Deus, e u é?
E eu ben vos digo que é sano e vivo
e seerá vosco ante o prazo saido.
Ai, Deus, e u é?
E eu ben vos digo que é vivo e sano
e seerá vosco ante o prazo passado.
Ai, Deus, e u é?
El-Rei D. Dinis
sedia-m'eu na ermida de San Simion
sedia-m'eu na ermida de San Simion
e cercaron-mi as ondas que grandes son:
eu atendend[o]'o meu amigo,
eu atendend[o]'o meu amigo.
.
Estando na ermida ant'o altar,
cercaron-mi as ondas grandes do mar;
eu atendend[o]'o meu amigo,
eu atendend[o]'o meu amigo.
.
E cercaron-mi as ondas que grandes son:
nem hei i barqueiro nem remador;
eu atendend[o]'o meu amigo,
eu atendend[o]'o meu amigo.
.
E cercaron-mi as ondas do alto mar;
non hei i barqueiro nem sei remar;
eu atendend[o]'o meu amigo,
eu atendend[o]'o meu amigo.
.
Non hei i barqueiro nem remador:
morrerei eu, fremosa, no mar maior:
eu atendend[o]'o meu amigo,
eu atendend[o]'o meu amigo.
.
Nem hei i barqueiro nem sei remar,
e morrerei eu, fremosa, no alto mar:
eu atendend[o]'o meu amigo,
eu atendend[o]'o meu amigo.
.
Meendinho
Veja-se a repetição sistemática do refrão, ao serviço de uma dor crescente, que se vai tornando lancinante. Dor feita de ausência, de cuidado, de medo. Muito mais o medo de não se voltar a ver quem se ama, do que o medo de se perder a própria vida. A donzela, na Ermida de San Simion, talvez a mesma onde conhecera o seu 'amigo', talvez numa ocasião de romaria (recordo aqui o entusiasmo juvenil das meninas, cujas mães iam a San Simion de Val de Prados 'candeas queimar'), a donzela, dizia, sozinha, olha o mar, que se agita cada vez mais e, com ele, agita-se todo o seu ser de preocupação. As ondas crescem. O seu cuidado também. A maré sobe. A menina não tem 'barqueiro', nem sabe 'remar'. À conta disso, morrerá 'fremosa, no alto mar'. E lá vem o refrão novamente, morrerá 'atendend[o]' meu amigo'. No fundo, a sua morte não se deverá à subida da maré, pois há a percepção do perigo, não há, no entanto, a intenção de o evitar, pois algo maior prende a donzela àquele cais do fim: a ilusão ver tornar o amigo. No fundo, se o fim for funesto (o que não sabemos, já que há apenas uma projecção daquilo que poderá acontecer), a donzela morre de espera; de expectativa; de promessa. Morre de esperança, que, afinal, também mata.
e cercaron-mi as ondas que grandes son:
eu atendend[o]'o meu amigo,
eu atendend[o]'o meu amigo.
.
Estando na ermida ant'o altar,
cercaron-mi as ondas grandes do mar;
eu atendend[o]'o meu amigo,
eu atendend[o]'o meu amigo.
.
E cercaron-mi as ondas que grandes son:
nem hei i barqueiro nem remador;
eu atendend[o]'o meu amigo,
eu atendend[o]'o meu amigo.
.
E cercaron-mi as ondas do alto mar;
non hei i barqueiro nem sei remar;
eu atendend[o]'o meu amigo,
eu atendend[o]'o meu amigo.
.
Non hei i barqueiro nem remador:
morrerei eu, fremosa, no mar maior:
eu atendend[o]'o meu amigo,
eu atendend[o]'o meu amigo.
.
Nem hei i barqueiro nem sei remar,
e morrerei eu, fremosa, no alto mar:
eu atendend[o]'o meu amigo,
eu atendend[o]'o meu amigo.
.
Meendinho
Veja-se a repetição sistemática do refrão, ao serviço de uma dor crescente, que se vai tornando lancinante. Dor feita de ausência, de cuidado, de medo. Muito mais o medo de não se voltar a ver quem se ama, do que o medo de se perder a própria vida. A donzela, na Ermida de San Simion, talvez a mesma onde conhecera o seu 'amigo', talvez numa ocasião de romaria (recordo aqui o entusiasmo juvenil das meninas, cujas mães iam a San Simion de Val de Prados 'candeas queimar'), a donzela, dizia, sozinha, olha o mar, que se agita cada vez mais e, com ele, agita-se todo o seu ser de preocupação. As ondas crescem. O seu cuidado também. A maré sobe. A menina não tem 'barqueiro', nem sabe 'remar'. À conta disso, morrerá 'fremosa, no alto mar'. E lá vem o refrão novamente, morrerá 'atendend[o]' meu amigo'. No fundo, a sua morte não se deverá à subida da maré, pois há a percepção do perigo, não há, no entanto, a intenção de o evitar, pois algo maior prende a donzela àquele cais do fim: a ilusão ver tornar o amigo. No fundo, se o fim for funesto (o que não sabemos, já que há apenas uma projecção daquilo que poderá acontecer), a donzela morre de espera; de expectativa; de promessa. Morre de esperança, que, afinal, também mata.
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