Monday, April 21, 2008

ponto e vírgula, vamos no carro do armando, um pouco a pé, um pouco andando...

digam-me...o que se faz à energia dos primeiros amores?
haverá alguma fonte donde se recolha mais néctar desse? ou a partir de agora, o que é real será apenas o meu cigarro no canto da boca e o meu casaco preto?
rais'partam o pós-modernismo, não há quem o ature...

Monday, April 14, 2008

a realidade é mais divertida do que parece...

- Mas não sabe que os intelectuais são seres muito perigosos?
- sim, já namorei com alguns para saber disso, quite clearly. O que lhe rói a alma é saber se eu conheci alguém mais perigoso ...


- quase morrer nas minhas mãos...
- morrer, nunca. Mas sair ferido grave...isso é outro tópico.

- quando usas a ironia, é sarcasmo, é destruição. prefiro o Humor porque nele há Amor.
- aí, precisamente reside a questão porque não há amor. Por isso, resta-nos o sorriso.

- não há lugar de sofrimento algum que eu já não conheça. inclusive já partilhei o corpo de uma mulher. e isso fazia parte da perfeição com que eu a amava, essa abnegação, esse desligar de mim para poder amá-la perfeitamente.
- dava-lhe cá um jeito na altura desligar-se de si, imagino...isso era preferível a estar na sua pele? isso constituía o maior sofrimento...gostar de si próprio?

- o que queres dizer com excessivamente físico?
- o que queres dizer com "paquidérmica"?

- tens de ser forte e terna, é preciso ser-se verdadeiramente grande para tal.
- do estilo, um elefante?

(to be continued)

Tuesday, April 1, 2008

Março, nem o vi...

é tão bom uma amizade assim
ai, faz tão bem saber com quem contar
eu quero ir ver quem me quer assim
é bom para mim e é bom pra quem tão bem me quer

Saturday, January 26, 2008

Espaços

Forasteiros entram quintal dentro, sorrateiramente, e roubam: levam com eles maçãs, frutas frescas, cores viçosas, cheiros terapêuticos, sabores naturalmente divinais...tudo aquilo que puderem e lhes chamar agradavelmente os sentidos.
...Roubar? Roubam sempre de mansinho, sem quererem ser vistos...olhando enquanto isso para as janelas daquela casa, que está sempre a ameaçar (em silêncio, com a imponência de quem não erra -nem sai do mesmo sítio) apanhá-los em flagrante..a danada.
Continuam a larapiar com um sorriso na mente, pensando no jardim do Éden que, afinal, até encontraram para se deleitar. Fazem o que querem -no quintal, apenas; não entram em casa, porque não lhes interessa o dono- até... roubarem a paciência desse mesmo dono, que espreita pela janela e os expulsa.
E vão-se embora, depois de roubar, para fazer a digestão em outros sítios saboreando o prazer sozinhos. Sorrindo mentalmente ainda e apenas com um leve vestígio de vergonha que não sabem se o é ou se foi a pêra lhes caiu mal.
Embora. Sózinhos.
Por que é assim que se vive, roubando (não dando) para prazer próprio: sózinho. Até encontrar a casa de outro alguém onde poisar e impor-se por uns segundos. Por si, para si.
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Sofia Morna

Friday, January 25, 2008

Vive o Instante que Passa

"Vive o instante que passa. Vive-o intensamente até à última gota de sangue. É um instante banal, nada há nele que o distinga de mil outros instantes vividos. E no entanto ele é o único por ser irrepetível e isso o distingue de qualquer outro. Porque nunca mais ele será o mesmo nem tu que o estás vivendo. Absorve-o todo em ti, impregna-te dele e que ele não seja pois em vão no dar-se-te todo a ti. Olha o sol difícil entre as nuvens, respira à profundidade de ti, ouve o vento. Escuta as vozes longínquas de crianças, o ruído de um motor que passa na estrada, o silêncio que isso envolve e que fica. E pensa-te a ti que disso te apercebes, sê vivo aí, pensa-te vivo aí, sente-te aí. E que nada se perca infinitesimalmente no mundo que vives e na pessoa que és. Assim o dom estúpido e miraculoso da vida não será a estupidez maior de o não teres cumprido integralmente, de o teres desperdiçado numa vida que terá fim."

Vergílio Ferreira, in 'Conta-Corrente IV'

Lullaby

Tuesday, January 22, 2008

Os olhos da Mj, quando contente.

E os olhos vibram com uma luz não pouco comum nos comuns de nós. Azulam, clareiam...espargem para fora e deixam escapar (por ser demais para conter) animação e vontade, inteligência & inspiração, profundidade & motivação, preocupação & ternura. Sim, tudo isto coroado...por ideias/conceitos à altura de poeta ou cineasta não ciente de que é capaz (mas sendo-o, contudo).
Dos olhos...os predicados escapam para onde? Para os olhos (mais apagados) de quem (mm analfabeto) os lê.
Quero ver-te muitas vezes assim.
E poder ajudar a que isso aconteça.
Que os teus olhos te mostrem.

Sofia.